«O Comunista», o primeiro órgão do Partido Comunista Português, publicou-se entre 16 de Outubro de 1921 e 6 de Novembro de 1926, tendo sido publicados 55 números, com uma interrupção da sua publicação entre Novembro de 1921 e Maio de 1923. Durante a primeira fase, publicaram-se apenas 7 números, não se dispondo do número seis. Durante a segunda fase, publicaram-se quarenta e oito números, não se dispondo dos números 25 e 47.
«O Comunista» ocupa um lugar muito particular no historial da imprensa operária e partidária pelo facto de ser um jornal de partido, o partido político da classe operária, o PCP, fundado a 06 de Março de 1921.
Um jornal particular por inscrever nos seus objectivos ser um instrumento de construção do PCP, defender os interesses dos trabalhadores e a sua luta emancipadora, difundir os ideais comunistas, bem como defender a Revolução Socialista de Outubro e divulgar as suas conquistas.
«O Comunista» é um documento histórico indispensável para o conhecimento do que foi o difícil, complexo e contraditório processo de formação e afirmação do partido político de classe operária, nas condições concretas de um país como Portugal, do intenso debate ideológico suscitado pela sua criação e pelo triunfo da Revolução de Outubro.
O PCP e «O Comunista» nasceram num período de vida nacional caracterizado pelo agudizar das contradições do capitalismo, pelo agudizar da luta de classes, pelo levantar cabeça das forças reaccionárias e do intensificar da repressão contra o movimento operário e sindical e contra os «bolcheviques» em particular.
Logo no primeiro nº de «O Comunista» se anuncia terem sido presos 12 jovens comunistas facto que se repetirá muitas vezes ainda antes do 28 de Maio.
Nas páginas de «O Comunista» encontrarão os leitores interessados em conhecer a história do PCP documentos fundamentais relacionados com o I e II Congressos, realizados ambos antes da implantação do fascismo, sobre várias questões de orientação partidária e do movimento comunista e ideológicas e que mostram quanto ainda estava longe a compreensão do marxismo- leninismo como base teórica do PCP:
Encontrarão ainda informações sobre problemas e dificuldades que o PCP atravessou num período tão difícil e complexo no plano nacional e internacional e que ajudarão a compreender quão difíceis foram os primeiros anos do PCP.
«O Comunista» torna-se igualmente de grande importância para o conhecimento das posições que diferentes forças políticas tinham em relação ao fascismo, aos seus perigos, à complacência e compromissos de sectores democráticos republicanos com a reacção e dos apelos do PCP à acção comum para se barrar o caminho ao fascismo.
A 27 de Novembro de 1921 quando se tinham publicado apenas 7 números, considerando-se que «O Comunista» não estava à altura do momento que «era de muita luta», anuncia-se a sua suspensão por poucas semanas para o fazer reaparecer muito melhor.
Apesar de se estar ainda a 5 anos do golpe de 28 de Maio, « O Comunista» alertava já para os perigos de as liberdades poderem ser esmagadas e apelava à congregação de esforços para barrar o caminho à reacção.
E antecipando uma realidade sem dúvida alguma que viria a marcar toda a história do PCP e de décadas de resistência ao fascismo, dizia-se que «o organismo que pelas suas características e também porque; sem dúvida é a única organização social que em Portugal ainda está limpa de responsabilidades [com o rumo de desastre que o País seguia] tem por missão efectivar essa concentração de forças defensoras do progresso e da liberdade é o Partido Comunista».
Quando em Maio de 1923 se reinicia a publicação de «O Comunista» - não passadas poucas semanas mas 18 meses - a situação política era mais grave, os perigos do fascismo maiores.
A periodicidade de «O Comunista» tornara-se bastante irregular. O jovem PCP atravessava sérias dificuldades. Os seus apelos à acção comum contra o perigo fascista continuavam a ser ignorados.
O nº 48, o último número a ser publicado e único que se conhece publicado depois do golpe de 28 de Maio já anuncia: «Este número foi visado pela Comissão de Censura». Passado pouco tempo o PCP era ilegalizado, a sua sede encerrada e os seus bens espoliados.
O País e o povo português iriam viver 48 anos de ditadura fascista.
«O Comunista» permanecerá na história como o primeiro órgão do PCP a que se lhe seguiu, depois da reorganização de 1929, «O Avante!» que permanece até aos dias de hoje, como órgão central do PCP - Fonte: http://www.pcp.pt/o-comunista |