1. O significado político da Depuração do Partido(2)
Dos 3 milhões e 200 mil militantes e candidatos atualmente existentes em nosso Partido, quase a metade — cerca de 1 milhão e 500 mil, entre os quais 250 mil militantes efetivos e 1 milhão e 250 mil candidatos — jamais passou por um processo de depuração. Só esse dado já demonstra a imensa importância que a depuração assume para elevar militantes e candidatos a um novo patamar ideológico e político.
Três milhões e duzentas mil pessoas, cada uma individualmente, subirão à tribuna e prestarão contas ao Partido, diante de dezenas de milhões de trabalhadores sem filiação partidária. Prestarão contas: pelo que cada um conquistou o direito de portar o título de militante do grande Partido; relatarão seu trabalho, sua compreensão das tarefas colocadas diante do Partido e sua disposição de seguir lutando pela causa do Partido, pela causa da classe operária.
A história dos partidos políticos não conhece exemplo de força e potência comparáveis às que o nosso Partido demonstra no próprio ato da depuração. E isso não é casual. Está inscrito na própria natureza do nosso Partido e em seus traços distintivos frente a todos os partidos políticos que existiram ou existem no mundo.
A estrutura do nosso Partido, seus métodos de trabalho, a posição e os deveres de cada militante decorrem integralmente dos grandes objetivos que ele se propõe e que transforma em realidade.
Nosso Partido é uma união combativa de camaradas de um mesmo ideal, pertencentes a uma classe determinada — a classe dos proletários revolucionários. Surgiu sobre bases voluntárias e tem como objetivo a liquidação do capitalismo e a instauração de uma nova forma de organização da sociedade humana: o comunismo.
É uma união que subordina os interesses individuais aos interesses do coletivo, aos interesses de todo o Partido, aos interesses de toda a classe. É uma união dotada de disciplina férrea, fundamento indispensável da existência de um Partido de combate. É uma união que pensa de modo unificado e age de modo unificado. É uma união que combate toda manifestação de desagregação interna, de indisciplina e de vacilações pequeno-burguesas que minam a capacidade combativa do Partido.
O Partido é uma união voluntária que inevitavelmente se desagregaria — primeiro ideologicamente, depois materialmente — se não se depurasse dos militantes que propagam concepções antipartidárias. Para delimitar as fronteiras entre o que é partidário e o que é antipartidário, servem o programa do Partido, suas Resoluções e seu Estatuto.(3)
A depuração das fileiras do Partido é um processo necessário, tão indispensável quanto o processo pelo qual um organismo saudável elimina os elementos doentios.
Antes da Grande Revolução Socialista de Outubro de 1917, a depuração das fileiras partidárias ocorria, por assim dizer, de forma espontânea. As próprias condições de existência do Partido favoreciam uma limpeza natural. A luta sob o czarismo, com prisões, perseguições e repressão constante, colocava o militante diante de uma decisão consciente e definitiva sobre o caminho que escolhia trilhar.
Jovens de 17 ou 18 anos — ainda rapazes e moças — ao ingressarem na via da luta revolucionária, precisavam decidir que subordinariam seus interesses pessoais aos interesses gerais do movimento revolucionário, da revolução proletária, do comunismo. Estavam prontos para enfrentar a prisão, os trabalhos forçados, o exílio na Sibéria. Viviam sob as duras condições da clandestinidade. Por isso, antes da Revolução, o processo de depuração ocorria sem campanhas específicas. Realizava-se sobretudo por um “desgaste natural”: quem não se mantinha firme, recuava. Não era expulso formalmente — simplesmente se afastava.
Após a Revolução de Outubro, após a conquista do poder, é claro que se infiltraram em nossas fileiras elementos estranhos à classe operária. O Partido travou uma luta enérgica contra carreiristas e oportunistas que se agarraram ao poder como parasitas.
Em seguida, vieram as frentes da Guerra Civil. Foi uma luta de vida ou morte contra Alexey Kaledin, contra as forças tchecoslovacas, contra Alexander Kolchak, Anton Denikin, Nikolai Yudenich, os intervencionistas poloneses e Pyotr Wrangel. Nesses dias terríveis, a própria guerra dificultava que carreiristas e oportunistas se infiltrassem no Partido.
Quando Denikin se aproximava de Tula, o Partido organizava “semanas partidárias” e recebia dezenas de milhares de operários que ingressavam voluntária e conscientemente em suas fileiras para combater os inimigos do poder soviético. Mesmo nesses dias dramáticos, o Partido não relaxou por um instante sua luta contra elementos estranhos em seu interior, que minavam sua capacidade combativa em nossas fileiras e no Estado, que violam a disciplina, que colocam interesses pessoais acima dos interesses da defesa do país proletário, acima dos interesses da revolução.
Após o término da Guerra Civil, a situação se modificou. O Partido proclamou a Nova Política Econômica (NEP). Nessas condições, exigiu-se da organização partidária uma resposta firme aos elementos carreiristas e oportunistas que haviam se infiltrado em suas fileiras. Tornava-se necessário intensificar a luta pela solidez ideológica das fileiras partidárias, combater as tendências pequeno-burguesas que enfraqueciam a ditadura do proletariado. Todas as oposições daquele período — desde os Trotskistas, os Centralistas Democráticos, a chamada Oposição Operária, até seus desdobramentos abertamente contrarrevolucionários (os Miasnikovistas e outros) — representaram, em essência, ofensivas burguesas e pequeno-burguesas contra o Partido e contra a ditadura do proletariado. No fundo, todas conduziam à restauração do capitalismo. O Partido não apenas lhes deu um golpe decisivo e derrotou essas forças atrasadas, como também proclamou então uma depuração geral de suas fileiras, expulsando elementos alheios e infiltrados.
No início da depuração de 1921, o Partido contava com 660 mil militantes e candidatos. Foram excluídos ou se retiraram voluntariamente 175 mil — cerca de 26% do total. O Partido reduziu-se numericamente em um quarto, mas tornou-se incomparavelmente mais forte.
A segunda depuração, já parcial, ocorreu em 1924 — nas células dos sovietes e universitárias — e, em 1925, realizou-se a verificação das células camponesas. Era o período de expansão da NEP, de revitalização dos elementos pequeno-burgueses tanto na cidade quanto no campo; período em que esses elementos passaram a se manifestar sob uma bandeira “de esquerda”. Tratava-se da segunda onda de ofensivas burguesas e pequeno-burguesas contra os fundamentos da ditadura do proletariado, disfarçadas com frases esquerdistas sobre democracia.
O 13º Congresso do Partido, na resolução “Sobre as Tarefas Imediatas da Construção Partidária”, declarou:
Já foi iniciada pelo Partido uma tarefa especial de verificação e melhoria das células compostas por militantes não-operários. A tarefa dessa verificação consiste, antes de tudo, na depuração do Partido de elementos socialmente estranhos e degenerados, bem como na exclusão daqueles militantes de origem não-operária que, durante sua permanência nas fileiras do Partido, não se afirmaram como comunistas na melhoria do trabalho das organizações estatais, econômicas ou de outra natureza, nem mantiveram vínculo direto com as massas operárias e camponesas.
Os trotskistas, que exploravam qualquer fato para atacar o Partido, repetiam a velha e vulgar lenda burguesa segundo a qual a depuração seria um instrumento fracionista da maioria contra a minoria.
No 17º Congresso do Partido, o camarada Stálin, respondendo a Yevgeni Preobrazhensky, declarou:
O camarada Preobrazhensky considera que a depuração é um instrumento da maioria do Partido contra a oposição e, ao que parece, não aprova os métodos da depuração. Trata-se de uma questão de princípio. O erro profundo do camarada Preobrazhensky consiste em não compreender que, sem uma depuração periódica dos elementos vacilantes, o Partido não pode fortalecer-se.
Em cada etapa histórica em que o Partido eleva seu trabalho a um novo nível, esses elementos pequeno-burgueses vacilantes começam a frear seu avanço. A depuração periódica do Partido, afastando elementos estranhos, instáveis e pequeno-burgueses, constitui condição indispensável para o cumprimento exitoso de suas tarefas revolucionárias.
Assim ocorreu também em 1929, quando o Partido passou à ofensiva socialista em toda a frente. A essa ofensiva ampla opuseram resistência elementos reacionários no interior do Partido, que se cristalizaram no chamado “desvio de direita”. À semelhança dos trotskistas, passaram a violar a disciplina férrea do Partido, a se opor à linha política adotada, a defender uma política kulak antipartidária e a tentar minar o entusiasmo das massas operárias no movimento de emulação socialista e no trabalho-de-choque. O Partido não apenas lhes deu uma resposta firme, como organizou uma nova e mais ampla depuração de suas fileiras para conduzir, com maior firmeza, a ofensiva contra os elementos capitalistas em todas as frentes de luta das massas.
Na Plenária de abril do Comitê Central, em 1929, o camarada Stálin afirmou a respeito da depuração daquele ano:
Seria ridículo imaginar que se pode fortalecer nossas organizações soviéticas, econômicas, sindicais e cooperativas, que se pode limpá-las da sujeira do burocratismo, sem afiar o próprio Partido. Não há dúvida de que elementos burocráticos existem não apenas nas organizações econômicas e sindicais, mas também nas próprias organizações do Partido. Se o Partido é a força dirigente de todas essas organizações, é evidente que a depuração do Partido constitui a condição necessária sem a qual não se pode levar até o fim a revitalização e o aperfeiçoamento das demais organizações da classe operária. Daí advém a justeza da palavra de ordem pela depuração do Partido.
Justamente porque o Partido soube manter suas fileiras firmes e ideologicamente coesas; justamente porque combateu com determinação todos os desvios — direitistas e esquerdistas —, toda vacilação e todo pântano político, foi possível cumprir as tarefas históricas grandiosas colocadas no 1º Plano Quinquenal. Foi possível derrotar os sabotadores como Ramzin(4) e esmagar os kulaks porque o Partido, sob a direção do Comitê Central marxista-leninista, soube fortalecer suas fileiras e, sem contemplações pessoais, expulsar todos aqueles que se afastavam do marxismo-leninismo e que, à maneira dos mencheviques, traindo os interesses da revolução proletária, convertiam-se dentro do Partido em defensores de classes hostis ao proletariado.
A direção do Partido, a direção do Comitê Central, adquiriu força, conquistou a confiança das massas e conduziu milhões porque soube, ao longo de todos os anos da ditadura do proletariado, permanecer fiel aos fundamentos lançados por Lênin no nascimento do Partido e desenvolvidos em seu percurso histórico; porque, após Lênin, colocou-se à frente do Partido o grande marxista-leninista, o camarada Stálin, que soube, com a mesma firmeza de Lênin, combater os oportunistas de todas as espécies e assegurar ao Partido as maiores vitórias históricas do 1º Plano Quinquenal. (Aplausos prolongados)
2. As particularidades e as lutas pela depuração de 1933
A história da humanidade jamais conheceu transformações tão rápidas, tão profundas e tão radicais na economia de um país quanto aquelas que realizamos nos últimos cinco anos.
As grandiosas vitórias na reconstrução socialista do país determinam toda a situação econômica e política contemporânea. É perfeitamente natural que um crescimento de tal envergadura, impetuoso e revolucionário, não possa deixar de gerar novas contradições e determinadas dificuldades oriundas do novo estágio qualitativo. Até mesmo os inimigos são obrigados a reconhecer nossas vitórias — evidentes e incontestáveis. Tentam consolar-se apontando dificuldades, inflando-as ao máximo e procurando encobrir o fato essencial de que nossas dificuldades e contradições nascem precisamente do nosso crescimento, de que diferem radicalmente — diria até — não das “dificuldades”, mas da agonia que hoje consome o mundo capitalista.
Há também, em nossas próprias fileiras, indivíduos que nem sempre compreendem corretamente o caráter dessas dificuldades e contradições. Marx, Engels, Lênin e Stálin ensinaram e ensinam a enxergar as contradições inscritas na própria vida. Para nós, deve ser igualmente claro que nossas vitórias na construção socialista não excluem dificuldades e insuficiências; ao contrário, pressupõem-nas. Toda a questão está em compreender sua natureza: são dificuldades de crescimento.
Se, por exemplo, não dispuséssemos hoje de uma indústria poderosa, de gigantescos complexos de tratores e automóveis, de usinas metalúrgicas e fábricas de máquinas, de minas, sovkhozes e kolkhozes, enfrentaríamos dificuldades de caráter qualitativamente distinto. Seriam dificuldades formuladas nos termos dramáticos de “ser ou não ser”. Seria uma questão de vida ou morte para a revolução proletária; uma questão da própria existência do Partido.
Pode-se comparar, ainda que remotamente, as dificuldades específicas que experimentamos no processo de edificação socialista com aquilo que teria ocorrido se o Partido houvesse enveredado pelo caminho traiçoeiro dos trotskistas e dos desviacionistas de direita? Não teríamos crescimento algum da economia socialista, nem fortalecimento do Partido; teríamos, sim, a desagregação do Estado soviético e a liquidação do Partido como partido proletário.
O pequeno-burguês verborrágico, o esquemático formalista, poderia tentar nos acusar de contradição: “Como podem falar em conquistas, em crescimento, e ao mesmo tempo proclamar uma depuração contra elementos estranhos e infiltrados?” Mas tal raciocínio mecânico está condenado ao fracasso desde o início. O Partido levanta a questão da depuração não porque seja fraco, mas porque é forte.
Levamos em conta que o enorme crescimento do Partido e as novas e complexas tarefas colocadas diante de nós, na etapa do 2º Plano Quinquenal, exigem uma nova verificação de nossas fileiras e a limpeza dos elementos alheios que inevitavelmente se infiltram num Partido que dirige o maior Estado do mundo.
A elevação da economia socialista, o crescimento numérico da classe operária e dos camponeses coletivizados levaram a um aumento sem precedentes das fileiras partidárias. Em apenas dois anos e meio, o Partido cresceu em 1 milhão e 400 mil militantes. Trata-se de uma prova eloquente da confiança, do apoio e do reconhecimento das amplas massas operárias e kolkhozianas. O Partido sabe disso e se orgulha disso. Porém, nosso Partido jamais sofreu do orgulho pequeno-burguês pela autossatisfação diante de seus próprios êxitos. Sempre soube — e sabe — analisar os fatos de maneira marxista, leninista, stalinista; avaliar sobriamente suas conquistas e seu crescimento; considerar com lucidez as dificuldades e as insuficiências.
É precisamente a partir dessa análise sóbria que o Partido reconhece que, apesar de nossas vitórias, apesar de termos derrotado os kulaks e, nas principais regiões cerealistas da URSS, tê-lo liquidado fundamentalmente como classe; apesar das grandes vitórias do movimento kolkhoziano; apesar de termos arrancado as raízes do capitalismo — essas raízes ainda não desapareceram por completo. A luta de classes continua e continuará, agora assumindo formas mais e mais agudas.
A luta irreconciliável contra todos os elementos oportunistas, desviacionistas, conciliadores — todos aqueles que procuram nos arrastar para trás — é conduzida e continuará a ser conduzida pelo Partido com a mesma firmeza e energia demonstradas até aqui. O Partido enxerga as manobras do inimigo de classe, inclusive do agente infiltrado que sabe adaptar-se e disfarçar-se.
O kulak modifica sua tática. Vê que os kolkhozes triunfam e que não pode enfrentá-los frontalmente. Percebe que seus dias estão contados e, por isso, está disposto a recorrer a todos os meios, inclusive à infiltração silenciosa — à tática da “sapa”(5) — penetrando no kolkhoz para sabotá-lo por dentro. Da mesma forma, elementos hostis de classe procuram infiltrar-se no Partido para garantir melhor sua própria sobrevivência. Mas também aqui fracassarão. A depuração do Partido os desmascarará.
Por isso, no primeiro ponto da resolução do Comitê Central e da Comissão Central de Controle, afirma-se que estão sujeitos à depuração, antes de tudo:
Os elementos de classe alheios e hostis que, por meio de engano, penetraram no Partido e nele permanecem com o objetivo de desagregar suas fileiras.
Que tais elementos ainda existiam, apesar das depurações anteriores — e que parte deles se infiltrou entre 1930 e 1933, após a depuração de 1929 — foi revelado pela depuração das organizações partidárias rurais do Norte do Cáucaso e da Ucrânia no inverno de 1932.
Um exemplo eloquente é o grupo de funcionários de Armavir: O vice-presidente da Comissão Distrital de Controle — Inspeção Operária e Camponesa, Stalishnov, revelou-se oficial do Exército Branco; serviu voluntariamente como capitão de Estado-Maior no destacamento de Stanisław Bułak-Bałachowicz e, também, nas forças de Symon Petliura.
O chefe do departamento municipal de serviços urbanos, Kudin — filho de um grande armador — formou-se na escola de oficiais em 1917, serviu sob Pavlo Skoropadsky, depois passou para o Exército Vermelho, participou de conspiração contra o poder soviético, desertou para o lado branco, serviu em regimentos de oficiais e, após a derrota, permaneceu em Krasnodar como simples soldado. Em 1920 ingressou no Partido, ocultando deliberadamente seu passado.
O chefe da seção distrital de finanças, Boldyrev, e o Presidente do Avtodor, Priz — militantes do Partido desde 1920 — haviam servido nas fileiras de Alexander Kolchak entre 1919 e 1920.
Casos semelhantes de elementos alheios foram revelados em outros distritos.
Não se pode afirmar que essa categoria seja numerosa. Mas trata-se de inimigos jurados da ditadura do proletariado, que se infiltraram no Partido com o propósito deliberado de encobrir sua luta organizada contra o poder soviético. São indivíduos capazes de entrar numa fábrica, vestir um macacão operário oleoso, obter a carteira do Partido e enganar a classe operária e sua organização dirigente. A tarefa de desmascarar esses inimigos de classe exige o auxílio de todos os operários, de todos os trabalhadores honestos.
Os limites da depuração seriam excessivamente estreitos se ela se restringisse apenas a esses inimigos de classe abertamente hostis, infiltrados por meio de fraude, e não revelasse também todos aqueles elementos que, embora não provenham diretamente de classes estranhas, revelam, por sua essência e por sua atitude frente à linha política do Partido, o papel de agentes internos de classes inimigas.
Ao longo de toda a sua história, nosso Partido combateu incansavelmente tais elementos. Sempre soube expor e desmascarar não apenas os que se levantavam abertamente contra ele, mas também aqueles oportunistas que, à maneira menchevique, sabiam adaptar-se às circunstâncias e aos “ventos do tempo”, encobrindo com frases ocas e enganadoras sua essência oportunista.
A situação atual — de vitória amplamente reconhecida da linha geral do Partido, de triunfo incontestável da industrialização e do movimento kolkhoziano — colocou os trotskistas, os desviacionistas de direita e outros oportunistas, bem como os elementos conciliadores com eles, na impossibilidade de atacar abertamente o Partido e seu Comitê Central. Por isso, recorrem a novas formas de luta. Concordam verbalmente com a linha do Partido, mas a sabotam e a minam na prática. Com isso, apenas refletem a nova tática de seu inspirador e guarda-costas — o kulak e outros elementos capitalistas — que, como já foi dito, abandonaram o ataque frontal e passaram à infiltração silenciosa. São os “duas caras”.
O “duas-caras” nada mais é do que a introdução, nas fileiras do Partido e do proletariado, da velha “virtude” burguesa e kulak: o engano, a hipocrisia, a duplicidade — considerados qualidades na moral do comerciante e do explorador rural. O kulak ou o comerciante que não trapaceava “não se respeitava”. Não por acaso existia o velho provérbio mercantil-kulak: “Quem não mente, não vende”. A duplicidade é moral de kulak e de negociante. Quem é capaz de agir com duas faces, ocultando do Partido suas verdadeiras posições, trilha o caminho da traição.
Vimos isso em exemplos vivos de antigos trotskistas e desviacionistas de direita. Depois de derrotados em combate aberto e desmascarados como agentes do inimigo de classe, muitos desses indivíduos tentaram retornar ao Partido por meio de declarações formais de renúncia às suas antigas posições. Contudo, não poucos deles, apesar dessas declarações, voltaram posteriormente ao caminho da atividade fracionista clandestina e da organização de agrupamentos contrarrevolucionários. Nosso Partido — partido de combate do proletariado revolucionário — não pode permitir, não permitiu e não permitirá ser enganado. Desmascaramos e desmascararemos, expulsamos e expulsaremos todos aqueles que ousarem enganar o grande Partido de Lênin.
Por isso, no segundo ponto da Resolução do Comitê Central e da Comissão Central de Controle, está explicitado que devem ser expulsos do Partido:
Os elementos duas-caras, que vivem enganando o Partido, que ocultam suas verdadeiras intenções e, sob a cobertura de uma falsa declaração de “fidelidade”, procuram, na prática, sabotar a política partidária.
Lugar de excepcional importância na atual depuração deve ser ocupado pela questão da disciplina partidária e estatal. A disciplina sempre foi a pedra angular da construção do nosso Partido.
Quem enfraquece, ainda que minimamente, a disciplina férrea do Partido do proletariado (sobretudo durante sua ditadura) ajuda de fato a burguesia contra o proletariado.(6)
Partindo desse princípio, o Partido combateu constantemente frações e agrupamentos, exigindo a observância rigorosa da disciplina e o cumprimento integral e incondicional de suas decisões. E, sendo o Partido a força dirigente do Estado soviético, sempre exigiu de seus militantes a aplicação exemplar das Resoluções dos órgãos estatais.
O Partido, por exemplo, sempre exerceu — e continua exercendo — vigilância especial sobre a disciplina no Exército Vermelho. Hoje, quando suas decisões se materializam em planos concretos de desenvolvimento da economia socialista, o Partido exige de seus militantes não apenas concordância formal com suas Resoluções, mas sua execução prática; exige a implementação efetiva das decisões do Partido e do Estado, dos planos estabelecidos, e uma luta ativa contra qualquer tentativa de descumpri-los.
Assim como, na frente militar, a lealdade, a abnegação e a disciplina eram verificadas não por uma simples concordância formal com esta ou aquela diretiva do Partido ou com o plano estratégico geral, mas pela luta real pela conquista de posições concretas, pela expulsão do inimigo dos territórios ocupados — do mesmo modo, hoje, a dedicação, a fidelidade e a disciplina de um militante do Partido são testadas não por sua concordância “de princípio” com a linha geral, mas pela luta concreta para dar conteúdo material a essa linha, para realizar na prática os planos da construção socialista.
Entretanto, há militantes do Partido que não apenas são incapazes de executar os planos definidos pelo Partido e pelo Estado, como consideram perfeitamente “legítimo” e admissível discutir a “realidade” desses planos, colocar em dúvida sua exequibilidade e, em vez de mobilizar as massas sob sua direção, desorganizá-las com tagarelice sobre a “irrealidade” das metas estabelecidas. Foi assim, por exemplo, em diversos distritos no que se refere ao cumprimento do plano de requisição de grãos. O mesmo ocorre na indústria, nas fábricas, nas minas, nos transportes.
Por isso, o Comitê Central e a Comissão Central de Controle indicaram, no terceiro ponto da resolução, que devem ser expulsos do Partido:
Os violadores abertos e encobertos da disciplina férrea do Partido e do Estado, que não executam as decisões do Partido e do governo, que colocam em dúvida e desacreditam as resoluções e os planos estabelecidos pelo Partido, difundindo conversas sobre sua ‘irrealidade’ e ‘impossibilidade’.
O Partido jamais deixou de depurar suas fileiras de degenerados, de indivíduos fundidos com elementos burgueses, de carreiristas e oportunistas, de pessoas moralmente corrompidas. Contudo, seria um erro imaginar que tais elementos deixaram de existir. A poeira se limpa hoje — e não apenas com água, mas até com querosene — e amanhã ela volta a aparecer. É preciso removê-la sistematicamente.
Na Resolução do Comitê Central e da Comissão Central de Controle, essa “poeira” nociva ocupa lugar significativo. Devem ser expulsos do Partido:
Os degenerados que se fundiram com elementos burgueses, que não desejam lutar na prática contra os inimigos de classe, que não combatem de fato os elementos kulaks, os aproveitadores, os parasitas, os ladrões e os saqueadores da propriedade social;
Os carreiristas, oportunistas e elementos burocratizados que utilizam sua permanência no Partido e seu serviço no Estado soviético para fins pessoais e mesquinhos, que se afastaram das massas e desprezam as necessidades e reivindicações dos operários e camponeses;
Os moralmente depravados(7), que, com sua conduta indigna, rebaixam a dignidade do Partido e mancham sua bandeira.
O Partido sempre combateu todos esses elementos, mas a resolução sublinha suas particularidades na etapa atual. O degenerado, por exemplo, manifesta-se hoje sobretudo por sua incapacidade — ou recusa — de enxergar o inimigo de classe; não quer lutar contra ele. Essa recusa aparece com especial nitidez na questão da defesa da propriedade socialista. Ele não quer compreender que o saque da propriedade socialista constitui hoje um dos principais métodos de luta do inimigo de classe; que a desorganização da economia kolkhoziana, o oportunismo predatório, o parasitismo, o roubo, são armas decisivas — talvez as últimas — do kulak em sua luta contra a ordem kolkhoziana vitoriosa. O degenerado não quer ver isso e, por consequência, não combate.
Isso vale para aqueles que se fundem com elementos sabotadores. Não sendo eles próprios sabotadores, abandonam, contudo, a vigilância proletária — qualidade fundamental de um bolchevique — e, em vez de manter uma desconfiança saudável diante de meios estranhos, deixam-se absorver por ambientes burgueses e pequeno-burgueses, a ponto de já não reconhecerem o inimigo.
O degenerado não quer perceber que o kulak infiltrado numa empresa organiza faltas ao trabalho, mina a disciplina produtiva, apropria-se dos bens da fábrica. Considera tudo isso um fenômeno habitual e inofensivo e, na prática, não conduz luta alguma contra os desorganizadores da produção.
Nos estabelecimentos comerciais e nas cooperativas, esse tipo de elemento não defende a propriedade socialista, alimenta o “espírito dos NEPistas”, arruinando os bens públicos.
Não menos perigosos são os comunistas burocratizados, que perderam o instinto de classe, tornaram-se reféns de elementos estranhos dentro de seu próprio aparelho, romperam os laços com as massas e são incapazes de assegurar a aplicação efetiva das diretivas partidárias. Muitas vezes, esses indivíduos passam de um extremo a outro: ora não enxergam o inimigo de classe e o toleram; ora, à direita e à esquerda, cometem graves “excessos”, embriagam-se com sua “força administrativa” e violam as leis estabelecidas pelo poder soviético, praticando arbitrariedade e ilegalidade.
Em ligação direta com essa categoria de degenerados está a quinta categoria — a dos carreiristas, oportunistas e burocratizados, afastados dos operários e camponeses. Todos eles colocam no centro de sua atividade não os interesses do Partido e da classe, mas seus próprios interesses pessoais e mesquinhos.
Essa categoria, assim como a anterior, seja por embotamento do instinto de classe, seja por interesses egoístas, contribui para a decomposição do aparelho soviético, permite a sabotagem e o descumprimento das diretivas partidárias.
A identificação e expulsão dos carreiristas, oportunistas e burocratizados — assim como da sexta categoria, a dos moralmente depravados — constitui uma das tarefas mais importantes das Comissões de Depuração.
As Comissões devem abordar o trabalho com a máxima seriedade, rigor e sensibilidade, próprios de bolcheviques. É indispensável afastar previamente qualquer modelo mecânico, qualquer formalismo. Cada militante da comissão deve examinar cada camarada submetido à depuração com atenção especial e extremo cuidado. A depuração deve expulsar os incorrigíveis, aqueles que “não justificam o elevado título de militante do Partido”, mas deve também reeducar e elevar os que são capazes de corrigir-se, de superar as deficiências que até agora apresentaram.
O trabalho da Comissão de Depuração é de altíssima responsabilidade. Talvez não exista tarefa mais difícil, pois aqui se trata de pessoas vivas. Exige-se grande firmeza, estabilidade e caráter decidido, mas também sensibilidade, paciência e a capacidade de analisar cada caso em sua essência, sem apegar-se a minúcias secundárias, sabendo identificar o traço principal e característico de cada militante.
É necessário envolver amplamente as massas operárias e camponesas na depuração. Cada militante deve compreender que a depuração não é assunto exclusivo das Comissões, mas tarefa de todo o Partido e povo, e participar ativamente dela.
Nosso Partido se depura para tornar-se ainda mais combativo, para afiar-se, para que o martelo partidário forje com maior precisão, para que nosso aparelho funcione melhor, para que nossa economia se desenvolva com mais vigor, para que o burocratismo e a papelada sejam superados com maior rapidez, para que os operários e o campesinato vivam melhor. É para isso que realizamos a depuração. (Aplausos)
3. A depuração e a elevação do nível ideológico dos militantes do Partido
Nesta depuração, aplicamos uma medida que não existia nas anteriores: a transferência para a condição de aspirante ou de candidato(8).
Nos últimos anos, ingressou em nosso Partido um enorme contingente de novos militantes, impulsionados pelo entusiasmo da construção socialista e pelo desejo sincero de contribuir para a grande transformação do país. Contudo, parte desses ingressantes ainda não satisfaz plenamente as exigências mínimas estabelecidas para cada militante ou candidato do Partido bolchevique.
Entre os candidatos, por exemplo, há pessoas que não apenas não assimilaram os conhecimentos políticos fundamentais, mas tampouco adquiriram o grau necessário de firmeza, disciplina e estabilidade partidária exigido de um comunista. Não se deve considerar tais camaradas como passíveis de expulsão — pois não manifestaram nada de antipartidário e trabalham honestamente, com dedicação, no chão de fábrica ou no kolkhoz. Contudo, necessitam de preparação e formação adicional para fazer jus ao elevado título de candidato ou militante do Partido. Para esses casos, é necessário aplicar a transferência temporária à categoria de aspirantes.
Os transferidos serão organizados em grupos de aspirantes junto às células partidárias. As portas do Partido não se fecham para eles. Ao contrário: o grupo de aspirantes constitui uma antecâmara do Partido; após um ano, poderão solicitar sua readmissão como militantes ou candidatos.
Abordagem semelhante deve ser adotada em relação aos militantes do Partido que, embora dedicados à causa, carecem de formação e conhecimentos políticos elementares sobre os objetivos e o Programa do Partido, sua política e suas decisões fundamentais. Tais camaradas devem ser temporariamente transferidos à condição de candidatos, a fim de que possam elevar sua formação política. Também terão a possibilidade de, após um ano, serem reintegrados como militantes plenos, caso demonstrem progresso em sua educação ideológica.
É evidente que as Comissões de Depuração não devem agir como examinadores escolares. Não se trata de aplicar provas formalistas ou exigir do militante do Partido — sobretudo do operário ou do camponês comum — conhecimento minucioso de todos os “detalhes” teóricos.
Há militantes do Partido que compreendem o essencial: sabem o que nossa organização busca, entendem a essência do nosso Programa, captam o conteúdo da luta de classes, mas nem sempre conseguem expor esse entendimento com suficiente clareza e coerência. E, às vezes, ocorre até o seguinte: o camarada sabia tudo, entendia tudo; chega à depuração, emociona-se como diante de um exame escolar — e tudo lhe foge da cabeça, não consegue articular sua fala diante da Comissão.
É precisamente aí que se coloca a tarefa da Comissão de Depuração: analisar a situação em sua substância, levar em conta o nível geral do militante ou candidato e criar uma atmosfera na qual ele não se sinta como um aluno diante de examinadores, não tema ser “apanhado” numa formulação ou submetido a perguntas capciosas. É preciso reduzir o formalismo, diminuir a ênfase em exigências puramente decorativas ou em brilhantismo oratório, e aprofundar-se mais na essência.
Entretanto, ao mesmo tempo, não podemos admitir que um militante ou candidato ignore as questões mais simples relativas aos objetivos e tarefas do Partido, ao que ele busca e aos inimigos contra os quais luta, tanto fora quanto dentro de suas fileiras. Se o militante ou candidato desconhece essas questões elementares, então, por mais desagradável que seja, o Partido tem o direito de lhe dizer: “Prepare-se e busque formação política primeiro; depois poderá ser militante pleno do partido de vanguarda”.
A própria decisão de transferir militantes a candidatos, ou candidatos a aspirantes, por desconhecimento de questões políticas elementares, demonstra que não estamos formulando exigências extraordinárias, ditadas por circunstâncias excepcionais. Estamos estabelecendo exigências normais para o militante de um partido dirigente, que, já ao ingressar, deve distinguir-se do trabalhador sem-partido por maior consciência e espírito de vanguarda.
O operário sem-partido tem o direito de perguntar a qualquer militante ou candidato: “Se você ingressou no Partido, então deve ser mais consciente que eu. Explique-me, por favor, quais são os objetivos do Partido Bolchevique. Esclareça-me tal ou qual decisão”. Que espécie de militante é aquele que não consegue responder às perguntas mais simples de um operário? É evidente que tal camarada precisa primeiro preparar-se melhor; ou, tendo já ingressado, deve empenhar-se com redobrada energia em sua formação individual — como convém a um Bolchevique — para dominar o mínimo de conhecimentos e a compreensão da essência do Partido, sem o que não se pode ser um combatente avançado no pleno sentido da palavra.
Nos últimos anos, o Partido realizou um grande trabalho para elevar o nível ideológico de seus militantes, difundindo cursos de formação política e organizando as Escolas do Partido. Melhorou o corpo docente, ampliando-o quantitativa e qualitativamente. A depuração contribuirá ainda mais para esse avanço. Creio mesmo que, no que se refere à assimilação do Programa, do Estatuto e das principais decisões do Partido, alcançaremos em seis meses de depuração resultados que, no curso normal do trabalho de propaganda, exigiriam dois anos.
Tanto mais que, já agora, às vésperas da depuração, muitos se concentram nas questões realmente fundamentais — e não como ocorria em algumas Escolas do Partido, onde certos professores, em vez de apresentar de modo simples e claro os conhecimentos mínimos indispensáveis ao militante ou candidato, iniciavam sua exposição sobre a essência do capitalismo com um “profundo” exame do fetichismo da mercadoria. Ao que parece, esses respeitáveis professores queriam provar que “não eram piores que Marx”. Se Marx começou “O Capital” pelo fetichismo da mercadoria, por que não começar também por aí? (Risos)
É claro que é preciso conhecer o fetichismo da mercadoria — trata-se de questão importante e valiosa. Porém, não é por aí que se deve começar. Ao menos esperamos que nossas Comissões de Depuração não iniciem a verificação dos conhecimentos partidários pelo fetichismo da mercadoria. (Risos)
Não entrarei em detalhes quanto às exigências específicas de conhecimento político que devem ser feitas a militantes e candidatos.
Não se pode, por exemplo, exigir que cada militante domine a teoria do imperialismo ou apresente uma exposição sobre a economia mundial e a situação revolucionária internacional como o faria um estudante de um instituto superior do Partido. Contudo, o militante do Partido deve compreender o que é o capitalismo e por que ele está historicamente condenado.
Nossa confiança no socialismo difere radicalmente da fé religiosa precisamente porque é uma convicção científica, baseada no conhecimento. Cremos no socialismo não porque simplesmente o desejamos, mas porque, a partir da análise marxista-leninista científica, reconhecemos a inevitabilidade da queda do capitalismo e da vitória do socialismo.
E compreender essa inevitabilidade não é exercício acadêmico nem satisfação de curiosidade pessoal. É arma de combate. É condição para estar melhor preparado, mais armado teoricamente, na luta contra o capitalismo e contra todos aqueles que, de fato, o sustentam e o defendem.
Tomemos outra questão. São conhecidos os debates da oposição com o Partido sobre a possibilidade da vitória do socialismo em um só país — concretamente, no nosso país. Mesmo muitos proletários que não dominavam profundamente a teoria perceberam instintivamente que, na própria formulação trotskista sobre a “impossibilidade” de construir o socialismo aqui, havia falsidade e traição. O operário honesto raciocinava de modo simples e direto: “Se não se pode construir o socialismo em nosso país, então para que fizemos a Revolução de Outubro? Para que derrubamos a burguesia?”
Contudo, para estar devidamente armado na luta contra a negação burguesa-trotskista da possibilidade de construir o socialismo em um só país, é preciso compreender ao menos em seus fundamentos que essa negação significava um completo deslizamento para as posições mencheviques da 2ª Internacional; significava renunciar às conquistas de Outubro e abrir caminho à restauração capitalista. Foram necessárias a extraordinária lucidez teórica e a firmeza do camarada Stálin para defender e desenvolver o ensinamento de Lênin nessa questão decisiva.
Para que o militante do Partido seja firme — e ser firme significa não recuar diante das dificuldades, saber nadar contra a corrente, saber conduzir os atrasados — não basta desejar sê-lo. É preciso compreender que nossa luta não se limita a interesses imediatos e mesquinhos. Como Partido Bolchevique, distinguimo-nos daqueles partidos que se dizem operários, mas que na prática são pequeno-burgueses ou burgueses, porque sabemos articular a luta pelos interesses do presente com a luta pelos grandes objetivos históricos — o socialismo. Sabemos, quando necessário, subordinar os interesses imediatos à vitória final, mesmo que isso implique superar dificuldades e sacrifícios temporários.
Em 1917, quando avançávamos para o assalto ao Estado burguês, os mencheviques nos amedrontavam com previsões de derrota, de sangue e de ruína. O Partido, sob a direção do camarada Lênin, não temeu as dificuldades; conduziu o proletariado ao combate e esmagou os inimigos.
Mais tarde, quando o Partido, sob a direção do camarada Stálin, lançou o proletariado ao assalto das bases econômicas do capitalismo — à industrialização do país e à coletivização da agricultura —, os trotskistas, os desviacionistas de direita e toda sorte de oposicionistas voltaram a brandir o espantalho das “dificuldades”, das “catástrofes”, das “derrotas inevitáveis”. Sim, a industrialização e a coletivização eram tarefas imensas e árduas. A realização do 1º Plano Quinquenal exigiu esforços colossais. Mas por que o Partido e seu Comitê Central conduziram as massas à luta e organizaram a vitória, apesar de todos os obstáculos? Porque compreenderam teoricamente que seguir o caminho indicado pelos trotskistas e direitistas significaria não apenas renunciar ao socialismo, mas perder a própria ditadura do proletariado. Não basta conquistar o poder e expulsar os capitalistas; é necessário destruir as raízes que alimentam o capitalismo, transformar profundamente a economia do país.
Se o Partido conseguiu derrotar as teorias e a política antileninistas que levavam à restauração capitalista; se conseguiu colocar o país no amplo caminho da construção socialista, fortalecer a ditadura do proletariado e consolidar a aliança operário-camponesa numa base superior — a da coletivização e mecanização da agricultura —, isso se deve ao seu profundo e correto entendimento teórico da natureza e das tarefas da ditadura do proletariado. E se deve à aplicação firme de toda a força da ditadura proletária para esmagar os inimigos de classe, bem como ao uso consciente do poder organizador do Estado proletário para transformar a economia e fortalecer a aliança entre operários e camponeses.
Ser fiel militante do Partido, não se afastar de sua linha, combater os desvios — tudo isso não significa apenas desejar sê-lo, mas compreender os fundamentos teóricos e políticos que orientam seus objetivos e sua prática.
Nosso Partido é irreconciliável com qualquer afastamento de suas bases teóricas e de sua política.
Por que não toleramos fracionismo? Desde os mencheviques até as oposições internas, os oportunistas sempre levantaram o lema: “viva e deixar viver”, ou seja, permitir o pluralismo de centros, a dispersão de linhas dentro do Partido. Chegaram a afirmar que “da diversidade de opiniões nasce a verdade”.
Mas para que o militante do Partido responda com firmeza a tais sofismas, deve compreender a natureza de nossa organização. Se a dispersão, a indisciplina e o fracionismo são tolerados nos partidos pequeno-burgueses — cujo ideal é conquistar alguns assentos no parlamento e atuar como oposição “respeitável” à ditadura burguesa —, o mesmo não pode ocorrer num Partido que organiza um exército revolucionário, que o conduz ao combate decisivo pelo socialismo e pelo comunismo, que exerce a ditadura do proletariado. Nosso Partido constrói suas forças sobre a base da unidade monolítica.
Ao mesmo tempo, o Partido, por meio de suas resoluções e pelas palavras do camarada Stálin, sublinhou repetidamente a necessidade de desenvolver amplamente a autocrítica e a democracia interna, de estimular a iniciativa e a atividade consciente dos militantes. A própria depuração é expressão de autocrítica.
Nos últimos anos, a autocrítica desenvolveu-se como nunca, apoiada no crescimento da iniciativa das bases, no avanço da emulação socialista e na energia da juventude. O Partido mobilizou novas massas para a construção do socialismo. Nossa autocrítica e nossa democracia interna dirigem-se contra os revisionistas e oportunistas; visam fortalecer a disciplina, consolidar as fileiras e mobilizar todas as forças para avançar rumo à vitória completa do socialismo em nosso país e no mundo. (Aplausos)
Os oportunistas de todas as cores ameaçavam o Partido com a cisão. Se tivéssemos cedido ao desânimo desses desertores e traidores, não haveria apenas cisão — haveria a completa desagregação do Partido. Foi justamente porque expulsamos sem piedade os oportunistas e fracionistas que o Partido Bolchevique, em 1933, apresenta-se mais forte e mais unido do que nunca. (Aplausos prolongados)
Hoje nosso Partido está mais armado do que jamais esteve para avançar com firmeza e constância. As vitórias do 1º Plano Quinquenal criaram todas as condições para elevar rapidamente o país a um novo patamar. Isso vale especialmente para a agricultura, onde, graças à atenção, aos cuidados e à organização prática do Partido — e, em primeiro lugar, do camarada Stálin —, já se observa uma virada significativa. As dificuldades e contradições ainda são consideráveis, mas o aumento sistemático da mecanização, a melhoria da organização e o envio de milhares de novos organizadores ao campo já mostram resultados: a semeadura deste ano ocorre melhor e com mais organização do que no anterior. Temos todas as condições para realizar as campanhas de cultivo, colheita e aquisição de grãos melhor do que nos anos passados. Tudo depende de nós — de nosso trabalho, de nossa capacidade organizativa —, e estamos confiantes de que o Partido e as massas que o seguem elevarão ainda mais a agricultura socialista. (Aplausos)
Para isso, é necessário aprimorar ainda mais o trabalho partidário, depurar as fileiras de elementos indignos. A depuração deve elevar não apenas cada militante individualmente, mas o conjunto das organizações partidárias, eliminando suas insuficiências.
A organização de Moscou obteve êxitos significativos nos últimos anos. Mas as insuficiências existentes nas organizações de todo o país também existem aqui. Nossa tarefa é fazer com que, por meio da depuração, a organização da capital atinja um nível ainda mais elevado.
Estou convencido de que a organização bolchevique de Moscou, assim como todo o Partido, dará exemplo durante a depuração; mostrará que sabe depurar-se e, ao mesmo tempo, elevar a qualidade de seu trabalho. (Aplausos)
A depuração fortalecerá, elevará e unirá ainda mais nosso glorioso Partido de milhões, bem como as amplas massas trabalhadoras, em torno do Comitê Central marxista-leninista, em torno do grande dirigente do Partido e da classe operária, o camarada Stálin. (Aplausos prolongados)
A depuração mostrará mais uma vez, aos amigos e aos inimigos, que nosso Partido não teme obstáculos na marcha do proletariado rumo à revolução proletária mundial e à vitória completa do socialismo! (Aplausos que se transformaram em palavras de ordem)