Dicionário político

Glasnost

Glasnost, literalmente "abertura", juntamente com Perestroika, foi a principal plataforma política de Mikhail Gorbachev nos últimos anos da União Soviética. A idéia central da Glasnost era envolver as massas soviéticas com o programa de modernização da Economia da União Soviética - representado pela Perestroika, sujeitando a burocracia estatal à ampla critica política - de cima à baixo -, na esperança de que isto iria facilitar as mudanças na economia e na maior motivação dos trabalhadores.

Harpal Brar em "Como o revisionismo kruschevista destruiu a União Soviética" afirma:

"Para acelerar o processo de restauração capitalista, tendo expurgado vários elementos do Partido com os quais não poderia contar, Gorbachev iniciou suas notórias políticas da glasnost e perestroika. A primeira desempenhou, no plano ideológico, o mesmo papel que a segunda no plano econômico. Se a perestroika visava restaurar completamente as relações capitalistas de produção destruindo todos os remanescentes de uma planificação centralizada, glasnost almejava destruir o que restara da ciência marxista-leninista na vida política e institucional da URSS, substituindo-a, então, pelas normas características da democracia burguesa. Combinadas, estas duas políticas se tornaram um autêntico atentado contra o socialismo – um programa contra-revolucionário que visava minar a liderança do Partido Comunista, a propriedade estatal, a planificação central e a integridade multinacional da União Soviética.
A glasnost se tornou sinônimo de anti-comunismo. As reformas econômicas se materializaram como a completa privatização e desmantelamento do que havia sobrado da economia socialista, com o apoio ao “socialismo de mercado” que se tornava o “mercado do socialismo” – em linguagem clara: capitalismo. O anti-stalinismo, com suas palavras de ordem sobre “democratização” e “descentralização”, se tornaram, como fora também na época de Kruschev, o slogan das reformas de Gorbachev. Sob o pretexto de aperfeiçoar o Partido e a economia, em nome da crítica ao “culto à personalidade”, realizou, a toque de caixa, a distorção completa da história do Partido e denegriu todas as conquistas históricas do socialismo."